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2015

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##issue.vol## 18, ##issue.no## 2 (2015)

Attílio Vivácqua*, nasceu em 11 de outubro de 1894. Filho de José Antônio Vivácqua e Etelvina Souza Monteiro Vivácqua, família abastada de imigrantes italianos e pertencente a poderosa oligarquia do Estado do Espírito Santo, cresceu em ambiente ligado às artes, à cultura e à política. Foi criado em Cachoeira do Itapemirim e de lá foi para a capital do Estado para estudar no do Ginásio do Espírito Santo. Estudou na Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, formando advogado em dezembro de 1916. De Cachoeiro de Itapemirim, sua família transferiu-se para Belo Horizonte onde conviveu com Carlos Drummond de Andrade, Abgar Renault e Pedro Nava, modernistas mineiros envolvidos com a vida cultural e política da cidade.
Envolvido pelo movimento modernista e sendo precursor do movimento escolanovista, Attílio Vivácqua idealizou a reforma educacional no Espírito Santo no final dos anos 1920 e foi um dos signatários do Manifesto dos Pioneiros pela Educação Nova, de 1932.
Fundou e dirigiu por vários anos o jornal O município da cidade de Cachoeiro de Itapemirim, que chegou a ser, em certa época, um dos melhores do Estado.
Attílio Vivácqua foi: Jornalista, Vereador Presidente da Câmara de Cachoeiro de Itapemirim, Deputado Estadual, Senador da República entre 1946 a 1961, Secretário de Estado da Educação do Espírito Santo, Publicista e Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Deixou grande contribuição para a literatura jurídica nacional e, como Secretário de Estado da Educação, numerosos trabalhos.
Attílio Vivácqua faleceu no Rio de Janeiro, em 21 de janeiro de 1961.

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*Excerto de duas fontes biográficas: BERTO, Rosianny Campos. A constituição da Escola Activa e a formação de professores no espírito Santo (1928-1930). Tese de doutoramento. Vitória: UFES, 2013. Disponível em: http://portais4.ufes.br/posgrad/teses/tese_6787_ROSIANNY%20CAMPOS%20BERTO.pdf e Home Page do município de Attílio Vivácqua disponível em: http://pmav.es.gov.br/index.php
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##issue.vol## 18, ##issue.no## 1 (2015)


Delgado de Carvalho (1884-1980) foi um dos signatários do Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, tendo sua produção intelectual sido reconhecida no campo da Geografia, da História, do Jornalismo das Ciências Políticas e Sociais, e registrada nos quarenta e nove livros que publicou nestas áreas do conhecimento. Foi professor no Colégio Pedro II, no Instituto de Educação do Rio de Janeiro, no Colégio Bennett, na Universidade do Distrito Federal, na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil e no Instituto Rio Branco. Sua atuação no campo da Geografia foi especialmente reconhecida, não apenas pelos livros que escreveu, mas especialmente pela sua atuação no Conselho Nacional de Geografia e no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Participou ativamente da criação da Associação Brasileira de Educação, em 1924. Foi membro da Comissão Nacional do Livro Didático e da Campanha Nacional do Livro Didático e Manuais de Ensino, setores do INEP e, nesta condição, redigiu manuais de ensino de Geografia e de ensino de História, considerados como referência para as escolas de educação básica de várias regiões do Brasil, nas décadas de 1940 a 1960.
O nome de Carlos Delgado de Carvalho aparece registrado em alguns documentos como Carlos Miguel Delgado de Carvalho. A explicação dada é que seu pai, que tinha o mesmo nome e era um monarquista convicto, renegando o novo país republicano defendido por Delgado, rompeu com ele e lhe pediu para que não utilizasse o mesmo nome. Delgado, então, resolveu incluir Miguel em sua assinatura. Posteriormente, ele voltaria a assinar com o seu nome original. (IBGE- Memória Institucional, 2009, p. 11).
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Referência Bibliográfica disponível em:
http://biblioteca.ibeg.goiv.be\visualisacao\monografia\

2014

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##issue.vol## 17, ##issue.no## 2 (2014)

Hermes Lima* foi jurista, político, professor, ensaísta, jornalista e memorialista.
Nascido na Bahia, formou-se na Faculdade de Direito da Bahia, em 1924, e foi eleito neste mesmo ano deputado estadual. Em 1926 mudou-se para São Paulo, onde lecionou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Em 1935 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ocupa o cargo de Diretor da Faculdade Nacional de Direito (FND), da Universidade do Brasil (atual UFRJ). Em novembro de 1935, a ANL deflagrou um movimento armado em Natal, Recife e Rio de Janeiro, logo sufocado pelas forças governistas. Na onda repressiva que se seguiu à insurreição, Hermes Lima foi afastado da Faculdade de Direito, tendo permanecido preso durante 13 meses. Em 1945 participou da fundação da União Democrática Nacional (UDN), elegendo-se Deputado Constituinte pelo antigo Distrito Federal. Em 1947 participou da fundação do Partido Socialista Brasileiro, indo em 1953 para o Partido Trabalhista Brasileiro.
Com a crise deflagrada pela renúncia de Jânio Quadros, foi instituído o Regime Parlamentarista. O presidente Jango nomeou Hermes Lima primeiro-ministro, cargo que ocupou de 18 de setembro de 1962 a 24 de janeiro de 1963, quando o plebiscito destinado à escolha do regime determinou a volta ao presidencialismo. Foi ministro das Relações Exteriores cumulativamente com o cargo de primeiro-ministro, continuando na pasta quando João Goulart assumiu o governo presidencialista. Em junho deste ano é nomeado para o Supremo Tribunal Federal. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em dezembro de 1968, ocupando a cadeira 7, e em janeiro de 1969 foi aposentado do Supremo Tribunal Federal pelo Ato Institucional nº 6).
Hermes Lima deixou as seguintes obras: Introdução à ciência do Direito (1933), Problemas do nosso tempo (1935), Tobias Barreto, a época e o homem (1939), Notas à vida brasileira (1945), Variações críticas sobre o nacionalismo (1958), Travessia (memórias, 1974), Anísio Teixeira, estadista da educação (1978), dentre outras.
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* As informações contidas nesta síntese biográfica foram extraídas de fontes disponíveis em:
http://educacao.uol.com.br/biografias/hermes-lima.jhtm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hermes_Lima
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##issue.vol## 17, ##issue.no## 1 (2014)

Antônio de Sampaio Dória é o homenageado da vez, na capa desta edição da Revista Educativa, dando sequência às homenagens que a revista vem prestando aos signatários do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.
Nasceu em Belo Monte, Alagoas, em 1883 e faleceu em São Paulo, em 1964. Foi político, jurista e educador. Em 1908, formou-se, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo. Exerceu a advocacia, trabalhou como redator de O Imparcial, foi assistente jurídico no Ministério da Justiça e Procurador Regional do Tribunal Eleitoral de São Paulo, 1934-1937.
Como Diretor-Geral da Instrução Pública de São Paulo, 1920-1924, implantou a primeira das reformas educacionais introduzidas em vários estados brasileiros; organizou o primeiro recenseamento educacional realizado no Brasil; criou as delegacias de ensino, modelos ainda hoje existentes; fundou as Escolas de Alfabetização, com o objetivo de erradicar o que ele considerava o mais grave problema educacional do país; unificou as antigas Escolas Normais e elaborou uma proposta de criação da Faculdade de Educação para a formação de professores, projeto que jamais saiu do papel; foi professor na Escola de Comércio Álvares Penteado e no Colégio Macedo Soares, onde atuou como vice-reitor; lecionou Psicologia, Pedagogia e Educação Cívica, na Escola Normal de São Paulo; Direito Público Constitucional e Direito Internacional Privado, na Faculdade de Direito de São Paulo.
A luta pela democracia, sua principal preocupação, em várias tentativas de reforma do ensino público no Brasil, o levou ao exílio. Com a implantação do Estado Novo, foi demitido das funções públicas e exonerado de suas atividades docentes na Faculdade de Direito de São Paulo. Com a deposição de Getúlio Vargas, recuperou seu cargo de docente e foi nomeado Ministro da Justiça pelo presidente interino, José Linhares.
Como ministro, 1945-1946, entre outras ações importantes, aprovou o registro do Partido Comunista do Brasil, em 1945. Ao deixar o Ministério, abandonou a vida política dedicando-se ao Magistério e à publicação de seus artigos e livros, entre estes: Recenseamento escolar: relatório, 1920; Questões de ensino: a reforma de 1920 em São Paulo, 1923; Espírito das democracias, 1924; Educação moral, 1928; O comunismo caminha no Brasil, 1933; Os direitos do homem, 1942; Direito Constitucional: curso e comentários à constituição, 1953; Psicologia da educação, 1959.

2013

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##issue.vol## 16, ##issue.no## 2 (2013)

Mário Casassanta

Como foi um dos signatários do Manifesto dos Pioneiros da educação Nova, Mário Casassanta é o homenageado na capa desta edição da Revista Educativa. Nascido, em Camanducais, Minas Gerais, em 1898, faleceu em Belo Horizonte em 1963. Mario Casasanta diplomou-se pela Escola de Farmácia de Pouso Alegre, em 1920, e pela Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, em 1924.
Lecionou no Ginásio de Pouso Alegre e em Campinas, São Paulo e no Colégio Arnaldo e no Colégio Estadual, em Belo Horizonte. Ensinou Direito Constitucional, na Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, e Teoria Geral do Estado na Faculdade Mineira de Direito da Universidade Católica.
O educador desempenhou outras relevantes funções públicas, como inspetor geral da Instrução Pública de Minas, diretor do Departamento de Educação do então Distrito Federal, Reitor da Universidade de Minas e, por duas vezes diretor de Imprensa Oficial. Foi Inspetor-Geral da Instrução Pública de Minas Gerais nos anos de 1928 a 1931 e professor catedrático de Português do Ginásio Mineiro, em 1936. Na Universidade de Minas Gerais em 1938 foi professor de Direito Constitucional e reitor, além de ter trabalhado como Diretor da Caixa Econômica Federal e Secretário do Interior do governo de José Magalhães Pinto. Como Inspetor-Geral da Instrução Pública, Mario Casasanta realizou importantes reformas do ensino público mineiro. Pertenceu à Academia Mineira de Letras.
Entre os anos de 1956 e 1958, Mário Casasanta foi Secretário da Educação. Neste cargo, ele assinou o convenio entre o Estado de Minas Gerais e o governo norte-americano, resultando na instalação do Programa Brasileiro-Americano de Assistência ao Ensino Elementar - PABAEE - nas dependências do Instituto de Educação, então sob sua direção. O programa tinha como objetivo possibilitar o desenvolvimento de atividades relacionadas à educação, dentre as quais o estudo da Psicologia aplicada à educação. Mais tarde, em parceria com Lucia Monteiro Casasanta dedicou-se ao estudo da linguagem da criança em fase escolar e a projetos de reconstrução da memória escolar no Brasil.
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##issue.vol## 16, ##issue.no## 1 (2013)

Raul Carlos BRIQUET (1887 - 1953)
Tendo sido um dos signatários do Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, (1932), Raul Carlos Briquet é o educador homenageado na capa desta edição da revista Educativa.
Nasceu em Limeira - São Paulo. Médico e professor, foi um dos pioneiros do ensino da Psicologia Social no Brasil. Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, dedicou-se à Ginecologia e Obstetrícia. Acumulou uma vasta experiência clínica nessa especialidade e, por essa razão, foi nomeado para o exercício do magistério nessa disciplina na Universidade de São Paulo, após a sua fundação em 1934.
O início de sua carreira foi também marcado pela motivação por estudos de Psicologia. Em 1910, escreveu a tese Da psychophysiologia e patologia musicaes, com a qual obteve sua titulação em Medicina. Nessa obra, editada em 1912 sob a forma de brochura, revelou estar familiarizado com teorias da época sobre a psicofisiologia musical e fenômenos normais e patológicos da dismusia e audição cromatizada. Nas últimas páginas de sua tese, na seção intitulada "Proposições", sugeriu aplicações terapêuticas da música, antecipando-se, portanto, ao desenvolvimento da musicoterapia no País.
Os interesses de Raul Briquet abrangeram outras áreas do conhecimento e de atuação profissional, além da Medicina e da Psicologia. Praticou a Medicina até o final da vida, mas, como nunca descurou de sua formação humanística, reuniu condições intelectuais indispensáveis ao magistério superior na famosa Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, lecionando nessa instituição disciplinas de Sociologia, Psicologia e Educação.
Raul Briquet foi membro de diversas instituições científicas, dentre as quais o Colégio Brasileiro de Cirurgiões, a Associação Paulista de Medicina, a Sociedade Paulista de História da Medicina, Sociedade Paulista de Filosofia e Letras, a Sociedade de Obstétricos e Ginecólogos (Buenos Aires), a Sociedade Ginecológica (Montevidéo) e a Academia Paulista de Letras. Faleceu em São Paulo - SP.
Fonte: CAMPOS, Regina Helena de Freitas (org.). Dicionário biográfico da Psicologia no Brasil: Pioneiros. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2001.

2012

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##issue.vol## 15, ##issue.no## 2 (2012)

Como mulher, educadora e intelectual, Armanda Álvaro Alberto exerceu a militância em defesa de seus ideais, tendo participado ativamente da criação de instituições destinadas à concretização dos movimentos feministas e dos movimentos escolanovistas no Brasil.
Nasceu no Rio de Janeiro, em 1892, cidade onde fez o Curso Normal. Em 1917 iniciou sua atividade como professora, na mesma escola onde concluiu o Curso Normal. Em Angra dos Reis promoveu o ensino ao ar livre, ensinando os filhos dos pescadores e, em 1921,comparrtilhou com Venâncio Filho e Edgar Süssekind de Mendonça a criação da Escola Proletária de Meriti, em Meriti/Duque de Caxias. Esta escola, mais tarde renomeada Escola Regional de Meriti, ficou conhecida como Escola Mate com Angu, por ter sido a primeira escola da América Latina a oferecer merenda escolar para seus alunos. Sob a influência dos postulados educacionais de Maria Montessori, Armanda Álvaro transformou a Escola de Meriti em um laboratório educacional, com regime de tempo integral, e nela as crianças participavam de atividades manuais como o cultivo de hortaliças e a criação do bicho-da-seda. A organização pedagógica implantada nesta escola antecipou os ideais escolanovistas no Brasil e sua protagonista foi uma das signatárias do Manifesto dos Pioneiros, documento que expunha os ideais do movimento pela Escola Nova, assinado por vinte e seis educadores brasileiros, em 1932.
Ainda na década de 30, Armanda participou da criação da Associação Cristã Feminina (ACF) e da União Feminina do Brasil (UFB), tendo sido, desta última, a sua primeira presidente. Como presidente da Associação Brasileira de Educação (ABE) e integrante da Aliança Nacional Libertadora (ALN), Armanda militou na Liga Anticlerical do Rio de Janeiro, ao lado do marido, Edgar Süssekind de Mendonça.
Tanto a UFB quanto a ANL eram alvo de perseguição por parte da Delegacia Especial de Segurança Política e Social (DESPS) do Estado Novo. As duas organizações foram postas na ilegalidade pelo Decreto 229, de 1935.
Em outubro de 1936, Armanda foi presa como suspeita de ligação com o Partido Comunista do Brasil e de participação na Revolução Comunista de 1935. Permaneceu na prisão até junho de 1937. Após sair da prisão e com a redemocratização do país, Armanda foi aos poucos retomando as atividades públicas, colaborando com manifestos e reivindicações.
Em 1964, diante das dificuldades para manter a Escola Regional, tentou transferi-la para o governo estadual. No entanto, não houve consenso para a manutenção da instituição nos moldes em que fora concebida, e a negociação foi encerrada. Após a morte de Armanda, em 5 de fevereiro de 1974, a Escola Regional foi doada para o Instituto Central do Povo. Atualmente é mantida em parceria com a Prefeitura da cidade e tem o nome de Escola Municipal Dr. Álvaro Alberto.

Foto: Dona Armanda no início dos anos 50 - Arquivo do Proedes/UFRJ.
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##issue.vol## 15, ##issue.no## 1 (2012)

Júlio César Ferreira de Mesquita Filho foi um dos signatários do Manifesto dos Pioneiros, nome registrado pela historiografia para designar a carta aberta ao povo e ao governo, assinada por vinte e seis educadores brasileiros, em 1932. Esta é a razão pela qual sua foto e um extrato de sua biografia estão na capa deste número da Educativa, dando continuidade à homenagem que esta revista vem prestando aos signatários do Manifesto de 1932.

Júlio de Mesquita Filho nasceu em São Paulo, em 14 de fevereiro de 1892, e aos 12 anos iniciou seus estudos na Europa. Voltou ao Brasil e em 1911, iniciou o curso superior na Faculdade de Direito, no Largo de São Francisco/ São Paulo, formando-se em 1916.

Filho do jornalista Júlio Mesquita, proprietário do jornal O Estado de S.Paulo (OESP), em 1915 inicia carreira no jornalismo, no Estadinho, edição vespertina de OESP. Em 1927 Tornou-se diretor do jornal. foi o fundador da Rádio Eldorado em 1958 e do Jornal da Tarde 1966.

Afilia-se em 1917 à Liga Nacionalista, organização liderada por Frederico Steidel e Olavo Bilac, com vistas a democratizar os costumes políticos de um Brasil ainda oligárquico. Torna-se um dos mais jovens fundadores do Partido Democrático, em 1926, grupo formado por intelectuais e membros de uma nova elite urbana e liberal que combatia as práticas do velho Partido Republicano Paulista. Engaja-se, ao término do governo Washington Luís, na candidatura de Getúlio Vargas, que em sua Aliança Liberal apresenta um programa de reformas institucionais, tais como o voto secreto e o fim da política dos governadores. Derrotado Vargas, Mesquita Filho apoia a Revolução de 1930, mas decepciona-se com o descumprimento das promessas iniciais de Getúlio Vargas. Participa da organização do movimento conhecido por Revolução Constitucionalista de 1932 que exigia do governo provisório o estabelecimento de uma nova Carta ao País e o resgate das promessas perdidas de 1930.

Exilado pela primeira vez após a derrota da Revolução, Mesquita Filho volta a São Paulo ainda a tempo de fundar, com seu cunhado Armando de Salles Oliveira, então interventor de São Paulo, a Universidade de São Paulo, vista pelo jornalista como essencial para a formação de uma nova elite política e cultural para o Brasil.

A partir do golpe do Estado Novo, em 1938, Julio de Mesquita Filho é preso 14 vezes e levado ao exílio na França, nos Estados Unidos e na Argentina. "O Estado de S. Paulo" é expropriado da família em 1940 e, somente em 1945, ante uma decisão do Supremo Tribunal Federal, é devolvido a seus legítimos proprietários.

Nos anos da República Nova (1946-1964), Mesquita Filho lidera seu diário nas lutas contra Vargas e seus seguidores, perfilando-se, ainda que assumindo uma postura crítica, à União Democrática Nacional.

Em 1964 apoia o golpe militar que derrubou João Goulart, mas rompe com o governo militar logo após a edição do Ato Institucional nº 2, de 1965. Ao tomar conhecimento, em dezembro de 1968, que o presidente Costa e Silva editaria o Ato Institucional nº 5, que terminaria com as liberdades públicas no Brasil, Mesquita escreve seu último editorial, "Instituições em Frangalhos". Na mesma noite, a edição do "Estado" era apreendida pela Polícia Federal, sob a promessa de ser liberada se a direção do jornal retirasse o editorial.

Mesquita recusou-se. Desgostoso com a censura imposta ao diário, o jornalista deixou de redigir as "Notas e Informações". Faleceu em julho de 1969, aos 77 anos, em São Paulo. (Cf. MAYRINK, José Maria. Trajetória de um jornalista liberal, Júlio césar de Mesquita Filho. São Paulo: O Estado de São Paulo, 25 de novembro de 2009 e conteúdo@algosobre.com.br)

2011

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##issue.vol## 14, ##issue.no## 2 (2011)

Francisco Venâncio Filho foi um dos signatários do Manifesto dos Pioneiros de 1932. Daí porque, dentre outras razões, entra no rol dos homenageados de a Educativa. Nasceu em Campos-RJ em 14 de abril de 1894. Depois dos primeiros estudos, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde bacharelou-se em Ciências e Letras (1910). A influência das Ciências Exatas e Naturais o levou a Escola Politécnica. Em 1916 fez concurso para a Cadeira de Ciências Naturais da Escola Normal do Rio (depois, Instituto de Educação). A partir disso, dedicou-se, especialmente, ao magistério, exercido, também nos colégios Pedro II e Bennet.
Logo ao iniciar seu ofício docente se interessou pelos ideais da Escola Nova, filiando-se à vertente européia pela incorpoção dos métodos da escola ativa, permanecendo fiel ao caráter humanístico da educação. O contato com esse ideário o levou a transcender a sala de aula pela luta a favor da renovação e expansão da escola brasileira. Atuou vigorosamente no movimento educacional dos anos vinte, do século XX, marcado pelo otimismo pedagógico, pela crença no poder da educação como instrumento de mudança e progresso individual e social, e pela tomada de consciência do estado deplorável em que se encontrava a educação brasileira, entendida, à época, como um problema nacional.
Nesse contexto, tornou-se um dos grandes defensores de uma educação para o povo, pri­vilegiando como campo de sua atuação, a Associação Brasileira de Educação (ABE), que ajudou a criar e que presidiu por duas vezes. Segundo muitos, a ABE foi a primeira e mais ampla forma de institu­cionalizar a discussão dos problemas de es­colarização em âmbito nacional pelas preocupações que expressou ao se constituir: "Ao cabo de um século de independência sente-se que há apenas habi­tantes no Brasil transformar esses habi­tantes em povo é o programa da Associa­ção Brasileira de Educação". No seu tempo, a ABE foi o centro, por excelência, da difusão do ideário escolanovista, podendo-se afirmar que o Manifesto de 1932 foi o corolário natural da discussão que se processara no âmbito da Entidade sobre o problema educacional brasileiro.
Venâncio Filho buscou demonstrar a importância de utilizar racional e criticamente os recursos audiovisuais já disponíveis à época (cinema e rádio) e os museus para ampliar a esfera da Escola e a eficiência do ensino. Dedicou vários de seus vários ensaios e artigos à primeira temática. Neles demonstrou que seu senso humanístico da educação não lhe permitiria transformar o ato pedagógico em pura técnica de ensino. De igual modo, produziu reflexões importantes sobre a utilização dos museus, analisando a importância deles no desenvolvimento cultural das comunidades, chegando a projetar a criação de um de Ciências , onde os jovens pudessem aprender tudo o que descobriram, no curso dos séculos, os gênios da humanidade.
Venâncio Filho apostava, também, no valor intrínseco da ciência como instrumento de progresso e ingrediente indispensável da educação do homem moderno. Daí a importância que atribuía ao seu estudo desde a escola primária, e à preparação dos mestres de ciências da escola secundária, materializada na sua proposta de criação de uma Faculdade de Ciências.
Em 1942 foi aprovado em concurso para professor de História da Educação do Curso Normal do Instituto de Educação do Rio. Os escritos que deixou sobre os tópicos da matéria dessa Cadeira, revelam a sua visão moderna e totalizante da história da educação como parte integrante da cultura.
Sua intensa atividade educacional não lhe permitiu escrever uma obra pedagógica sistemática, daí porque sua produção reune mais de 150 artigos, conferências e ensaios. Em toda essa produção, revelou-se um analista envolvido com os problemas da educação nacional, mostrando-se também atento à problemática pedagógica suscitada pelo movimento escolanovista no estrangeiro, tanto que pode ser considerado um dos primeiros educadores brasileiros a perceber a importância da psicologia genética de Piaget para a educação.
Em reconhecimento a sua contribuição à educação brasileira, a Academia Brasileira de Letras lhe concedeu, em 1937, o Prêmio Francisco Alves. Venâncio filho faleceu em 13 de agosto de 1946 no Rio de Janeiro. (Cf. Dicionário dos Educadores no Brasil, p. 212-220)
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##issue.vol## 14, ##issue.no## 1 (2011)

Edgar Roquette-Pinto foi mais um dos intelectuais de seu tempo que assinaram o Manifesto dos Pioneiros de 1932, daí porque é o homenageado deste número da Educativa. Ele nasceu no Rio de Janeiro em 25 de setembro de 1884. Além de médico legista, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1905, era antropólogo, etnólogo, ensaista e educador.
Em 1912 participou da Comissão de construção das linhas telegráficas dirigida pelo Marechal Rondon. Na ocasião, filmou os índios Nhambiquaras. Resultou desse trabalho, seu notável estudo de antropologia: Rondônia, expressão dada à região visitada em homenagem ao diretor da referida comissão. Realizou também estudos sobre os sambaquis, depósitos arqueológicos do litoral do Rio Grande do Sul.
Em 1906 foi nomeado Professor Assistente de Antropologia no Museu Nacional, onde organizou, como diretor. a maior coleção de filmes científicos do Brasil de seu tempo. Foi ainda professor de História Natural da Escola Normal do Distrito Federal (1916) e professor visitante de Fisiologia da Universidade Nacional do Paraguai (1920). Quatro anos depois, participou do Congresso Internacional da Americanistas, realizado em Gotemburgo (Suécia).
Em 1923, sob os auspícios da Academia Brasileira de Ciências, fundou a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro de caráter exclusivamente cultural, assentada no lema: "Pela cultura dos que vivem em nossa terra, pelo progresso do Brasil". Argumentava que "o ideal (...) [seria] que o cinema e o rádio fossem, no Brasil, escola dos que não têm escola". É reconhecido como o pioneiro da radiofonia e da televisão no Brasil, voltadas para difundir a cultura. Ao sentir a impossibilidade de manter o caráter exclusivamente cultural da Rádio (1936), propôs ao Governo federal sua doação ao Ministério de Educação, sob a condição de que tal caráter fosse respeitado. Após a doação, bem sucedida, surgiu a Rádio Ministério de Educação.
Em 1931 foi convidado a dirigir a Rádio Escola Municipal, também exclusivamente cultural. Em 1945 ela foi denominada de Rádio Roquette-Pinto, designação mantida até hoje. Em 1936, aceitou o convite do Ministro Gustavo Capanema para criar e dirigir o Instituto Nacional do Cinema Educativo. Com a colaboração de muitos, produziu centenas de filmes educativos, destinados à divulgação nas escolas brasileiras. Sobre sua própria atuação, afirmou: durante mais de trinta anos de minha (...) vida de naturalista e professor [dediquei-me] (...) ao estudo da raça, da gente, dos tipos do Brasil. E quando os dados objetivos da ciência (...) me convenceram de que os problemas humanos não derivam, no Brasil, de influências nocivas de cruzamentos (...) biológicos, [mas de] questões de meio, de herança social, de cultura, voltei-me apaixonadamente para tudo quanto pudesse elevar no plano físico e moral, os meus irmãos. Foi a minha velha antropologia que me abriu esse novo caminho, no desejo de ser útil, única ambição veemente em minha alma brasileira.
Segundo Paulo Carneiro, ele fez do magistério um apostolado. Por onde lecionou surgiu, em torno de sua cátedra, um viveiro de educadores, de cientistas e de missionários. Todos [conheciam] a sua admirável aptidão de pedagogo. Mas só os que tiveram a oportunidade de assistir às suas preleções puderam apreciar, em toda a sua plenitude, os seus dons excepcionais de professor.
Nosso homenageado foi Membro da Academia Brasileira de Letras, da Academia Brasileira de Médicos Escritores e de inúmeras outras associações culturais, nacionais e estrangeiras. Foi um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro. Entre 1906 e 1941 produziu vasta obra, merecendo destaque: O exercício da medicina entre os indígenas da América, e Rondônia - antropologia etnográfica, considerada um clássico da antropologia brasileira. Escreveu ainda inúmeros trabalhos científicos, artigos e conferências, publicados em diferentes revistas e jornais do país.
Roquette-Pinto faleceu no Rio de Janeiro em 28 de agosto de 1954.

2010

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##issue.vol## 13, ##issue.no## 2 (2010)

Júlio Afrânio Peixoto foi médico, professor, político, crítico literário, ensaísta, romancista e historiador. Pela contribuição intelectual dada à sociedade e à cultura brasileiras, e, especialmente, por ter sido um dos signatários do Manifesto dos Pioneiros de 1932, foi o escolhido para ilustrar a capa deste número da Educativa. Nosso homenageado nasceu em Lençóis-BA em 17 de dezembro de 1876. Passou sua infãncia em Canavieiras, cidade do interior baiano que conferiu seu nome a uma de suas bibliotecas e a uma de suas ruas. As vivências dessa fase de sua vida influenciaram de modo significativo o que expresou em seus romances.
Ele se formou em Medicina em Salvador em1897. A tese que defendeu à época "Epilepsia e crime" mobililou interesses nos meios científicos brasileiros e do exterior. Com a publicação do drama Rosa Mística (1900) deu início a sua carreira literária. Dois anos após, transferiu-se para o Rio de Janeiro, então capital do país, onde foi inspetor de Saúde Pública e Diretor do Hospital Nacional de Alienados. Entre 1904 e 1906 percorreu a Europa, buscando especializar-se. Regressando ao Brasil deixou a literatura, dedicando-se apenas à Medicina. Deu aulas de Medicina Legal na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1907), assumindo, posteriormente, nessa mesma instituição, o cargo de professor extraordinário. Nesse tempo, produziu obras de cunho médico-legal e científicas. Estudou as teorias de Freud, levando-as para seus romances. Além de dirigir a Escola Normal do Rio de Janeiro (1915), foi diretor da Instrução Pública do Distrito Federal no ano seguinte.
Em maio de 1910, quando visitava o Egito, foi à revelia eleito como o terceiro ocupante da Cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras (ABL), sucedendo Euclides da Cunha. Premido pelo fato, começou e concluiu a escrita de seu romance A esfinge antes de sua posse, ocorrida em agosto de 1911. O Egito inspirou-lhe o título e a trama. Publicado no mesmo ano, o romance obteve sucesso e conferiu destaque entre os ficcionistas brasileiros. Como membro da ABL obteve do embaixador da França, Alexandre Conty, a doação pelo governo francês do palácio Petit Trianon (1923), construído para a Exposição da França no Centenário da Independência do Brasil. Além de ter ocupado a Cadeira nº 7 da ABL, ocupou também a Cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Filologia por ele fundada. De sua vasta obra literária, produzida entre 1900 e 1947, constam estudos sobre Camões, Castro Alves e Euclides da Cunha.
Passou brevemente pela política (1924-1930) como deputado federal eleito pela Bahia. Após, voltou à atividade do magistério sendo professor de História da Educação no Instituto de Educação do Rio de Janeiro (1932). Foi reitor da Universidade do Distrito Federal em 1935. Após 40 anos de relevantes serviços prestados ao Brasil, aposentou-se. Por meio de sua personalidade fascinante, inteligência viva e domínio da oratória, Afrânio Peixoto prendia a atenção de pessoas e auditórios, obtendo, por isso, aprovação da crítica e prestígio popular.
Nosso homenageado faleceu em 12 de janeiro de 1947 no Rio de Janeiro.
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##issue.vol## 13, ##issue.no## 1 (2010)

CECàLIA BENEVIDES DE CARVALHO MEIRELLES

Por inúmeros motivos, mas especialmente por ter assinado o Manifesto dos Pioneiros (1932), Cecília Meirelles é a homenageada deste número de a Educativa.
Nasceu em 07 de novembro de 1901 no Rio de Janeiro. Perdeu o pai antes de nascer e a mãe aos três anos. O contato precoce com a morte levou-a, segundo ela, a mais bem compreender as relações entre o efêmero e o eterno, tanto que afirmou:

Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção [...] da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade... Mais tarde, foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano.

Cecília Meirelles conclui seus primeiros estudos em 1910, na Escola Estácio de Sá, e o Normal no Instituto de Educação do Rio de Janeiro (1917). Em seguida, passou a lecionar em escolas públicas do antigo Distrito Federal (DF).
Casou-se, em 1922, com o pintor português Fernando Correia Dias, que faleceu em 1935. Com ele, teve três filhas. Em 1940, casou-se com o professor e engenheiro Heitor Vinícius da S. Grilo.
Em 1919, publicou seu primeiro livro de poesias, Espectro, seguido de inúmeros outros. Muitos deles foram traduzidos e publicados em vários idiomas e em outros países. Além de sua vasta obra literária, escreveu em alguns periódicos. Entre 1930 e 1931, por exemplo, escreveu diariamente sobre educação no Diário de Notícias.
Como diretora de um Centro Infantil que teve vida efêmera, ela organiza a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro (1934). Durante sua vida, Meirelles proferiu, aqui e alhures (demais Continentes do mundo), inúmeras conferências sobre Literatura Brasileira.
Entre 1935 e 1938, lecionou disciplinas ligadas à  literatura brasileira e à  luso-brasileira na Universidade do Distrito Federal (hoje, UFRJ). Em 1940, lecionou Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas (USA).
Alguns prêmios, condecorações e títulos foram a ela concedidos em vida e após sua morte. Em 1953, por exemplo, recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade de Délhi (àndia) e, em 1965, é agraciada pela ABL com o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra. Além disso, Cecília Meirelles se tornou, no Brasil e no estrangeiro, nome de salões, ruas, escolas, bibliotecas. Em 1964, é inaugurada a Biblioteca Cecília Meirelles, em Valparaiso (Chile). Em 1989, uma cédula de cem cruzados novos com a efígie de Cecília Meirelles é lançada pelo Banco Central do Brasil, no Rio de Janeiro.
Em 1951, Cecília Meirelles se aposentou como diretora de escola, mas continuou trabalhando como produtora e redatora de programas culturais na Rádio Ministério da Educação, no Rio de Janeiro.
Pela sua sensibilidade poética, o crítico Paulo Rónai escreveu: "Considero o lirismo de Cecília Meirelles o mais elevado da moderna poesia da língua portuguesa. [...] A poesia de Cecília Meirelles é uma das mais puras, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea.
Nossa homenageada desapareceu, encantou-se, em 09 de novembro de 1964, no Rio de Janeiro. Seu corpo foi velado no Ministério da Educação e Cultura.

As Editoras

2009

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##issue.vol## 12, ##issue.no## 2 (2009)

Este número de a Educativa homenageia Benjamin Constant Botelho de Magalhães, nascido em Niterói-RJ, em 18 de outubro de 1836. Ele era engenheiro, militar, professor e estadista.
Seus primeiros estudos foram feitos com um padre da vila em que morava (Freguesia de Magé) e com seu pai, também militar e professor, com quem, iniciou-se em Gramática Portuguesa, Latim e Cálculo Elementar. Perdendo-o antes de completar 13 anos, foi obrigado a assumir a responsabilidade de lutar pela própria sobrevivência e a da família.
Transferindo-se com a família para a Capital, foi aceito como aluno no externato do Mosteiro de São Bento, onde conseguiu, devido ao excelente desempenho, tornar-se professor auxiliar de Latim e Matemática Elementar. Concomitatemente, frequentou o Colégio Coruja que lhe forneceu o atestado que lhe permitiu requerer a admissão aos exames preparatórios à  Escola Militar da Práia Vermelha (EMPV). Sendo aprovado nesses exames, matriculou-se na EMPV e nela estudou até 1858, ocasião em que ela se bipartiu separando o ensino de Engenharia do ensino propriamente Militar. A formação dos militares-engenheiros passou, então, a se fazer na Escola Central, posteriormnte denominada Escola Politécnica Nacional de Engenharia (hoje, Engenharia da UFRJ), onde nosso homenageado bacharelou-se em Ciências Físicas e Matemáticas em 1860. No ano seguinte, ingressou no curso de Engenharia. Na condição de engenheiro civil e militar participou da Guerra do Paraguai de 1866 a 1868.
Em 1863, casou-se com a filha do diretor do então Instituto dos Meninos Cegos, hoje, Instituto Benjamin Constant. Além de professor, ele foi também diretor dessa Intituição. Nessa última condição, escreveu um novo projeto de ensino para esse Instituto.
Buscando ingressar no magistério superior, prestou e foi aprovado em vários concursos. Conseguiu ser provisoriamente nomeado como repetidor de Matemática da EMPV (1873), efetivando-se nela como Catedrático em 1889. Ainda na condição de estudante dessa Escola, Benjamin Constant entrou em contato com a obra de Conte, tornando-se um dos mais ferforosos adeptos do positivismo, em suas vertentes filosófica e religiosa, difundindo-o, depois, como professor, entre a jovem oficialidade do Exército brasileiro.
Nosso homenageado foi um dos principais articuladores do movimento que desaguou na Proclamação da República (1889), sendo, posteriormente, nomeado Ministro da Guerra e, depois, Ministro da Instrução Pública do Governo Provisório. Nesta última função, promoveu uma importante reforma curricular. Seus atos legislativos na Pasta da Guerra propiciaram mudanças significativas no ensino militar.
Como Ministro da Instrução Pública reformou todos os níveis da educação nacional. Todavia, foi especialmente nos níveis da educação básica (fundamental e média) que Benjamin Constant buscou imprimir a marca do método científico conteano. Entre as reformas que assinou consta o decreto que criou o Pedagogium na Capital Federal; o que regulou a Instrução Primária e Secundária do Distrito Federal; o que modificou o Regulamento da Escola Normal da Capital Frderal e o aprovou; o Regulamento do Instituto Nacional dos Cegos.
Com seu desaparecimento em 22 de janeiro de 1891, as reformas assinadas por ele (parte do projeto burguês de reconstrução nacional e de elevação do país ao nível do século) ficaram comprometidas. As disposições transitórias da Constituição de 1891 consagraram-no como o fundador da República brasileira. (Para mais informações, cf. Dicionário de Educadores no Brasil: da Colônia aos dias atuais, 1999: 111-115). Foto: Celso Castro, 1995: 104.
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##issue.vol## 12, ##issue.no## 1 (2009)

Antonio Ferreira de Almeida Júnior (1892-1971)

Com o objetivo de continuar divulgando o trabalho e a produção intelectual dos educadores que tiveram importância para a história da educação brasileira, a Educativa selecionou como homenageado deste número: Antonio Ferreira de Almeida Júnior. Este signatário do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932) nasceu em Joanópolis-SP em 8 de junho de 1892.
Em 1910 iniciou sua carreira docente como professor primário da Escola Isolada da Ponta da Praia (Santos), passando, neste nesse ano, a lecionar na Escola Modelo Isolada de São Paulo. No ano seguinte ingressou como professor de Francês na Escola Normal de Pirassununga, onde permaneceu lecionando esta disciplina até 1914.
Entre 1915 e 1919 ingressou como professor no Instituto Disciplinar da Capital, local em que, durante 1919, participou da direção da Escola Normal da Capital. Ainda em 1919 passou a auxiliar o Diretor-Geral de Ensino da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, atividade que continuou desempenhando em 1920.
Almeida Júnior se tornou médico em 1921 pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. Antes mesmo de se formar (1920), nosso homenageado começou a dar aulas de Biologia e Higiene na Escola Normal do Brás, posteriormente, Instituto de Educação Padre Anchieta, permanecendo nesta condição até 1930. Dois anos antes (1928), Almeida Júnior havia ingressado por concurso e na condição de professor Livre-Docente de Medicina Legal na Faculdade de Direito de São Paulo.
Em 1933, nosso homenageado assumiu o cargo de Chefe do Serviço Médico Escolar do Estado de São Paulo. No exercício da função, participou da elaboração do Código de Educação do Estado de São Paulo. Entre 1936 e 1938 atuou como Diretor de Ensino da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.
Em 1941 assumiu como Professor Catedrático (cargo obtido por concurso público) a disciplina Medicina Legal da Faculdade de Direito da USP.
Entre 1945 e 1946, foi Secretário da Educação e Saúde Pública do Estado de São Paulo, vindo a ser nomeado para o Conselho Nacional de Educação em 1949. Mais tarde (1962) foi nomeado para o Conselho Federal de Educação.
No decorrer de toda a sua vida, Almeida Júnior foi um educador e um intelectual muito atuante, produzindo ainda muitos escritos de grande interesse para a educação. Entre eles podem ser citados: a Cartilha de Higiene (1922); Biologia Educacional (1931); A escola pitoresca e outros trabalhos (1934); Elementos de anatomia e fisiologia humanas (1935); Lições de Medicina Legal (1948); Problemas do ensino superior (1956) e, a Escola Primária? (1959).
Nosso homenageado desapareceu em 4 de abril de 1971, em São Paulo. (Cf. Dicionário de Educadores no Brasil. Da Colônia aos dias atuais, 1999:82-88)

2008

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##issue.vol## 11, ##issue.no## 2 (2008)

GENESCO FERREIRA BRETAS

Este número de a Educativa tem a honra de homenagear um dos mais importantes intelectuais e educadores de Goiás: Genesco Ferreira Bretas ou, simplesmente, Professor Bretas, conforme ficou conhecido em Goiás. Natural de Caldas Novas, ele nasceu em 18 de novembro de 1811.
Um ano depois de seu nascimento, sua família mudou-se para Anápoles-GO. Nessa cidade, ele realizou seus primeiros estudos, e iniciou o curso secundário no Instituto de Ciências e Letras. Visando concluir seus estudos secundários e ainda trabalhar, nosso homenageado transferiu-se para a cidade do Rio de Janeiro, então capital do país, onde permaneceu até 1942. Lá, bacharelou-se e licenciou-se em Letras Anglo-Germânicas pela Faculdade Nacional de Filosofia.
Durante o tempo em que permaneceu no Rio de Janeiro, atuou como docente na condição de professor de línguas. Ainda nesta cidade, o professor Bretas foi nomeado por concurso público para o exercício do cargo de postalista dos Correios e Telégrafos. Nesta condição, retornou para Goiás, vindo, posteriormente, a ocupar as funções de Chefe do Tráfego Postal e de Diretor dos Correios de Goiânia.
O retorno do professor Bretas a Goiás se deu em um momento histórico de importantes mudanças educacionais. Entre 1930 e 1945 todas as modalidades de ensino, começando pela educação hoje caracterizada como infantil até a educação de nível superior, passaram por significativas modificações. Os dados disponíveis indicam que a ação educativa do professor Bretas parece ter deixado sua marca em, praticamente, todos elas.
Em 1928 Genesco Bretas ingressou no magistério como professor do Grupo Escolar de Caldas Novas, assumindo ainda por nomeação, o cargo de Secretário Geral desse município por quatro anos consecutivos.
Mas, foi a partir de 1942 que ele passou a atuar de forma mais efetiva na educação. Além de ter exercido o cargo de Secretário Municipal da Educação no governo do prefeito Hélio de Brito (1961-1966), foi um dos fundadores, talvez o mais importante, da Associação Goiana de Educadores (AGE), presidindo-a de 1950 a 1953. Pela sua reconhecida erudição participou, por dois mandatos, do Conselho Estadual de Educação.
Entre 1948 e 1969, nosso homenageado dirigiu três reconhecidas escolas da rede pública de ensino de Goiânia: o Instituto de Educação (1948-1951); o Lyceu de Goiânia (1966-1969) e o Colégio de Aplicação da FE/UFG (1952-1960).
Além das atividades administrativo-pedagógicas mencionadas, o professor Bretas atuou como docente em alguns colégios importantes das redes privada e pública de ensino de Goiânia, podendo ser, respectivamente, destacados: o Colégio Dom Bosco (1943-1948); o Colégio Santo Agostinho (1944-1952); o Instituto de Educação (1948-1966) e o Lyceu de Goiânia (1944-1969).
No ensino superior, o professor Bretas atuou como docente na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica de Goiás (1949-1962); na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e, finalmente, na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás de 1962, ano de ingresso nessa última IES, até sua aposentadoria, ocorrida em 1983.
Entre seus vários escritos sobre a educação, encontram-se o livro A História da Instrução pública em Goiás, publicado em 1990, e o livro Memórias de um botocudo publicado em 2001.
O professor Bretas obteve grande reconhecimento e por isso recebeu várias homenagens ainda em vida. Segundo sua filha Maria Luíza, a quem as editoras da Educativa agradecem a cessão dos dados que possibilitaram a escrita dessas notas biográficas, em fevereiro deste ano, foi inaugurado o Colégio Estadual Genesco Ferreira Bretas em sua homenagem póstuma e, que muito esforço vem sendo realizado no sentido de torná-lo referência em matéria de ensino fundamental, médio e na educação de jovens e adultos.
De seus bem vividos 96 anos, ele dedicou 54 à  educação. E o fez como administrador, docente e historiador da educação, sonhando com paixão, segundo os que com ele conviveram, com uma educação pública de qualidade para todos. Os educadores e pesquisadores, que tomam a educação realizada em Goiás como objeto de suas preocupações, têm razão do orgulho que sentem quando se referem ao trabalho e à  obra do professor Bretas. Um estudo detido e rigoroso da trajetória intelectual desse educador peculiar ainda está por ser feito. O professor Bretas desapareceu em 18 de setembro de 2007. (Nota bibliográfica sistematizada a partir de dados fornecidos por Maria Luíza Bretas. Goiânia, Março/2009).

Foto: Arquivo da família.
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##issue.vol## 11, ##issue.no## 1 (2008)

Noemy da Silveira Rudolfer (1902 - 1988) é a homenageada deste número da Educativa. Paulista de Santa Rita do Viterbo, foi aluna e colega de Lourenço Filho na Escola Normal Padre Anchieta, sendo depois convidada por ele para vários cargos públicos. Em 1927, realiza cursos de formação no Teachers College da Columbia University, quando, segundo relatos de Anita Cabral, teve a oportunidade de conhecer as idéias de Dewey, Kilpatrick e Walker, que posteriormente divulga no Brasil. Divulga também idéias dos seguintes autores ligados à  Psicologia Educacional: Thorndike e Gates - estudo comparativo das teorias da aprendizagem com ênfase no conexionismo; Gesell e Bühler - psicologia da criança, psicologia da adolescência; Holingworth e Cole - psicologia das diferenças individuais.
Lourenço Filho a convida em 1931 para chefiar o Serviço de Psicologia Aplicada da Diretoria Geral do Ensino do Estado de São Paulo e, em 1932, para assumir a Cátedra de Psicologia Educacional e o Laboratório de Psicologia Educacional, ambos pertencentes então à  Escola Normal Caetano de Campos. O laboratório nesse momento dispunha de 17 funcionários e subdividia-se em quatro seções principais: Medidas Mentais, Medida do trabalho escolar, Orientação, Estatística. Durante 10 anos funcionou ativamente e, entre outras coisas, serviu como possibilidade de desenvolvimento de atividades práticas para os alunos estagiários. Em 1935 é nomeada professora de Psicologia do Instituto Caetano de Campos, incorporado à  Universidade de São Paulo, onde permanece até 1954, quando é substituída por Arrigo Leonardo Angelini, convidado para ser seu assistente em 1948.
Em 1936 defende sua tese de cátedra, A evolução da psicologia educacional através de um histórico da psicologia moderna. Em 1938 publica um livro cuja primeira edição tem o mesmo título de sua tese. No prefácio, a autora esclarece que teve a intenção de fazer uma revisão da história da Psicologia, incluindo a evolução da Psicologia Educacional, dada a escassa bibliografia existente no período. Considerava também que as inúmeras perspectivas existentes poderiam confundir o aluno de Psicologia. Em 1960, na segunda edição, o título é modificado para Introdução à  psicologia educacional. A grande modificação introduzida é o capítulo final, onde inclui cinco modernas teorias de aprendizagem: teoria dos estímulos, de E.R.Guthrie; teoria do condicionamento, de Clark Hull; teoria de campo, de Kurt Lewin; teoria organísmica da aprendizagem, de Wheeler; teoria da aprendizagem com um propósito e o comportamento molar de Tolman.
Foi presidente do I Congresso Paulista de Psicologia, Neurologia, Psiquiatria, Endocrinologia, Medicina Legal e Criminologia, realizado em São Paulo em julho de 1938. Segundo depoimento de Anita Cabral (1950), Noemy, seguindo os passos de Thorndike, que se aproximou da gestalt, passa a dar mais atenção ao desenvolvimento da personalidade infantil, aos testes projetivos, aproximando-se mais da psicologia clínica e da psicanálise. Os três artigos que publicou na década de 1950 no Boletim de Psicologia demonstram essa tendência. Os títulos são: Os Motivos Profundos no Desenho Infantil, Psicologia Profunda das Manifestações Artísticas e Critérios em Uso na Moderna Psicologia. Em 1961 é eleita para a primeira diretoria da Sociedade Paulista de Psicoterapia e Psicologia de grupo, dedicando-se à  clínica psicanalítica até o ano de sua morte.

2007

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##issue.vol## 10, ##issue.no## 2 (2007)

Manoel José do Bomfim nasceu a 8 de agosto de 1868 em Aracaju e morreu em 22 de abril de 1932 no Rio de Janeiro. Formou-se em medicina, desempenhou atividades de jornalista, além de ocupar funções públicas ligadas à  educação. Em 1897, participou da Diretoria Geral da Instrução Pública do rio de janeiro, como membro do Conselho Superior. Em 1901 foi para Paris, onde estudou Psicologia e Pedagogia com Alfred Binet e Georges Dumas, na Sorbonne. De volta ao Rio, em 1903, foi nomeado Diretor da Instrução Pública pelo então Prefeito Pereira Passos.
O homenageado deste número da Educativa, apesar de ter publicado cerca de 26 livros, é um ilustre desconhecido em nosso meio acadêmico. As razões desse desconhecimento podem ser buscadas por meio da análise de seu discurso no qual a metáfora ocupa lugar central, num momento em que o paradigma científico se baseava na utilização de conceitos objetivos, capazes de legitimar a imparcialidade da ciência. Embora utilizasse o instrumental teórico-metodológico dominante no período, Bonfim preocupou-se em demonstrar suas contradições por meio da explicitação do interesse científico, o que abriu espaço à  critica da ciência enquanto conhecimento neutro. O uso da metáfora como instrumento da explicação científica - quando se elegiam os conceitos como base de cientificidade - gerou polêmica e subseqüente desvalorização da sua obra. Bonfim foi extremamente lúcido quanto ao parasitismo europeu, sobre o colonialismo como a causa real dos males da nação: a economia especulativa que se implantou, o desgaste mortal da força de trabalho, a exportação de gêneros alimentícios, o enriquecimento secular das metrópoles, o estilo civilizatório, destruidor e genocida (Franco, 1994, p.97).
Para Bomfim, em seu discurso o progresso pela educação (1904), a função do educador estava relacionada à  função da República e da democracia, que seria formar sociedades livres ou que aspirem à  liberdade. O autor expunha seu pensamento sobre a educação remetendo à  formação da sociedade e da nação. Sendo a primeira formada por indivíduos cultos e progressistas, a segunda terá garantida a prosperidade e progresso. Do contrário, sendo os indivíduos ignorantes e inaptos, a nação persistirá atrasada, bárbara, fora do progresso e da atividade fecunda. Logo, para conduzir uma nação a todos os progressos, à  prosperidade e perfeição, só há um meio natural e infalível - instruir, educar os indivíduos, nas sociedades que aspiram progredir, sendo que o preparo das gerações futuras vem a ser um dos mais importantes serviços públicos (Bertonha, 1997).
(trecho extraído do Dicionário dos Educadores no Brasil,1999).
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##issue.vol## 10, ##issue.no## 1 (2007)

José Bento Monteiro Lobato homenageado deste número da revista Educativa nasceu a 18 de abril de 1882 na cidade de Taubaté. Jornalista, criador de deliciosas histórias para crianças, ensaísta e homem de ação, encheu com seu nome um largo período da vida nacional. Nas palavras de Passiani (2002) o projeto criador de Monteiro Lobato é parte fundamental do processo de formação de um campo literário. Era, de fato, um ser plural: escritor precursor do realismo fantástico, escritor de obras infantis, ensaísta, crítico de literatura, jornalista, empresário, fazendeiro, tradutor e diplomata. Desapareceu na cidade de São Paulo (SP), em julho de 1948.

2006

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##issue.vol## 9, ##issue.no## 2 (2006)

Antônio de Arruda Carneiro Leão, eleito para a Cadeira 14 da Academia Brasileira de Letras (1944), é o homenageado deste número de a Educativa.
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##issue.vol## 9, ##issue.no## 1 (2006)

Alceu Amoroso Lima ââ?¬â? homenageado deste número da revista Educativa ââ?¬â? nasceu no Rio de Janeiro em 11 de dezembro de 1893. Na condição de crítico literário adotou o pseudônimo Tristão de Athayde (1918), visando preservar sua identidade e driblar o preconceito que julgava como inà¬compatíveis as práticas intelectual e de diretor da fábrica de tecidos de sua família simultaneamente por ele exercidas. Sua produção científica é extensa e diversificada. Pela enorme contribuição que deu à  cultura e ao pensamento educacional, ele deve ser lembrado como um dos mais proeminentes intelectuais do Brasil. Desapareceu em 14 de agosto de 1983, em Petrópolis.

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