##issue.vol## 14, ##issue.no## 2 (2011)

DOI: http://dx.doi.org/10.18224/educ.v14i2


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Francisco Venâncio Filho foi um dos signatários do Manifesto dos Pioneiros de 1932. Daí porque, dentre outras razões, entra no rol dos homenageados de a Educativa. Nasceu em Campos-RJ em 14 de abril de 1894. Depois dos primeiros estudos, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde bacharelou-se em Ciências e Letras (1910). A influência das Ciências Exatas e Naturais o levou a Escola Politécnica. Em 1916 fez concurso para a Cadeira de Ciências Naturais da Escola Normal do Rio (depois, Instituto de Educação). A partir disso, dedicou-se, especialmente, ao magistério, exercido, também nos colégios Pedro II e Bennet.
Logo ao iniciar seu ofício docente se interessou pelos ideais da Escola Nova, filiando-se à vertente européia pela incorpoção dos métodos da escola ativa, permanecendo fiel ao caráter humanístico da educação. O contato com esse ideário o levou a transcender a sala de aula pela luta a favor da renovação e expansão da escola brasileira. Atuou vigorosamente no movimento educacional dos anos vinte, do século XX, marcado pelo otimismo pedagógico, pela crença no poder da educação como instrumento de mudança e progresso individual e social, e pela tomada de consciência do estado deplorável em que se encontrava a educação brasileira, entendida, à época, como um problema nacional.
Nesse contexto, tornou-se um dos grandes defensores de uma educação para o povo, pri­vilegiando como campo de sua atuação, a Associação Brasileira de Educação (ABE), que ajudou a criar e que presidiu por duas vezes. Segundo muitos, a ABE foi a primeira e mais ampla forma de institu­cionalizar a discussão dos problemas de es­colarização em âmbito nacional pelas preocupações que expressou ao se constituir: "Ao cabo de um século de independência sente-se que há apenas habi­tantes no Brasil transformar esses habi­tantes em povo é o programa da Associa­ção Brasileira de Educação". No seu tempo, a ABE foi o centro, por excelência, da difusão do ideário escolanovista, podendo-se afirmar que o Manifesto de 1932 foi o corolário natural da discussão que se processara no âmbito da Entidade sobre o problema educacional brasileiro.
Venâncio Filho buscou demonstrar a importância de utilizar racional e criticamente os recursos audiovisuais já disponíveis à época (cinema e rádio) e os museus para ampliar a esfera da Escola e a eficiência do ensino. Dedicou vários de seus vários ensaios e artigos à primeira temática. Neles demonstrou que seu senso humanístico da educação não lhe permitiria transformar o ato pedagógico em pura técnica de ensino. De igual modo, produziu reflexões importantes sobre a utilização dos museus, analisando a importância deles no desenvolvimento cultural das comunidades, chegando a projetar a criação de um de Ciências , onde os jovens pudessem aprender tudo o que descobriram, no curso dos séculos, os gênios da humanidade.
Venâncio Filho apostava, também, no valor intrínseco da ciência como instrumento de progresso e ingrediente indispensável da educação do homem moderno. Daí a importância que atribuía ao seu estudo desde a escola primária, e à preparação dos mestres de ciências da escola secundária, materializada na sua proposta de criação de uma Faculdade de Ciências.
Em 1942 foi aprovado em concurso para professor de História da Educação do Curso Normal do Instituto de Educação do Rio. Os escritos que deixou sobre os tópicos da matéria dessa Cadeira, revelam a sua visão moderna e totalizante da história da educação como parte integrante da cultura.
Sua intensa atividade educacional não lhe permitiu escrever uma obra pedagógica sistemática, daí porque sua produção reune mais de 150 artigos, conferências e ensaios. Em toda essa produção, revelou-se um analista envolvido com os problemas da educação nacional, mostrando-se também atento à problemática pedagógica suscitada pelo movimento escolanovista no estrangeiro, tanto que pode ser considerado um dos primeiros educadores brasileiros a perceber a importância da psicologia genética de Piaget para a educação.
Em reconhecimento a sua contribuição à educação brasileira, a Academia Brasileira de Letras lhe concedeu, em 1937, o Prêmio Francisco Alves. Venâncio filho faleceu em 13 de agosto de 1946 no Rio de Janeiro. (Cf. Dicionário dos Educadores no Brasil, p. 212-220)