##issue.vol## 15, ##issue.no## 1 (2012)

DOI: http://dx.doi.org/10.18224/educ.v15i1


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Júlio César Ferreira de Mesquita Filho foi um dos signatários do Manifesto dos Pioneiros, nome registrado pela historiografia para designar a carta aberta ao povo e ao governo, assinada por vinte e seis educadores brasileiros, em 1932. Esta é a razão pela qual sua foto e um extrato de sua biografia estão na capa deste número da Educativa, dando continuidade à homenagem que esta revista vem prestando aos signatários do Manifesto de 1932.

Júlio de Mesquita Filho nasceu em São Paulo, em 14 de fevereiro de 1892, e aos 12 anos iniciou seus estudos na Europa. Voltou ao Brasil e em 1911, iniciou o curso superior na Faculdade de Direito, no Largo de São Francisco/ São Paulo, formando-se em 1916.

Filho do jornalista Júlio Mesquita, proprietário do jornal O Estado de S.Paulo (OESP), em 1915 inicia carreira no jornalismo, no Estadinho, edição vespertina de OESP. Em 1927 Tornou-se diretor do jornal. foi o fundador da Rádio Eldorado em 1958 e do Jornal da Tarde 1966.

Afilia-se em 1917 à Liga Nacionalista, organização liderada por Frederico Steidel e Olavo Bilac, com vistas a democratizar os costumes políticos de um Brasil ainda oligárquico. Torna-se um dos mais jovens fundadores do Partido Democrático, em 1926, grupo formado por intelectuais e membros de uma nova elite urbana e liberal que combatia as práticas do velho Partido Republicano Paulista. Engaja-se, ao término do governo Washington Luís, na candidatura de Getúlio Vargas, que em sua Aliança Liberal apresenta um programa de reformas institucionais, tais como o voto secreto e o fim da política dos governadores. Derrotado Vargas, Mesquita Filho apoia a Revolução de 1930, mas decepciona-se com o descumprimento das promessas iniciais de Getúlio Vargas. Participa da organização do movimento conhecido por Revolução Constitucionalista de 1932 que exigia do governo provisório o estabelecimento de uma nova Carta ao País e o resgate das promessas perdidas de 1930.

Exilado pela primeira vez após a derrota da Revolução, Mesquita Filho volta a São Paulo ainda a tempo de fundar, com seu cunhado Armando de Salles Oliveira, então interventor de São Paulo, a Universidade de São Paulo, vista pelo jornalista como essencial para a formação de uma nova elite política e cultural para o Brasil.

A partir do golpe do Estado Novo, em 1938, Julio de Mesquita Filho é preso 14 vezes e levado ao exílio na França, nos Estados Unidos e na Argentina. "O Estado de S. Paulo" é expropriado da família em 1940 e, somente em 1945, ante uma decisão do Supremo Tribunal Federal, é devolvido a seus legítimos proprietários.

Nos anos da República Nova (1946-1964), Mesquita Filho lidera seu diário nas lutas contra Vargas e seus seguidores, perfilando-se, ainda que assumindo uma postura crítica, à União Democrática Nacional.

Em 1964 apoia o golpe militar que derrubou João Goulart, mas rompe com o governo militar logo após a edição do Ato Institucional nº 2, de 1965. Ao tomar conhecimento, em dezembro de 1968, que o presidente Costa e Silva editaria o Ato Institucional nº 5, que terminaria com as liberdades públicas no Brasil, Mesquita escreve seu último editorial, "Instituições em Frangalhos". Na mesma noite, a edição do "Estado" era apreendida pela Polícia Federal, sob a promessa de ser liberada se a direção do jornal retirasse o editorial.

Mesquita recusou-se. Desgostoso com a censura imposta ao diário, o jornalista deixou de redigir as "Notas e Informações". Faleceu em julho de 1969, aos 77 anos, em São Paulo. (Cf. MAYRINK, José Maria. Trajetória de um jornalista liberal, Júlio césar de Mesquita Filho. São Paulo: O Estado de São Paulo, 25 de novembro de 2009 e conteúdo@algosobre.com.br)