##issue.vol## 15, ##issue.no## 2 (2012)

DOI: http://dx.doi.org/10.18224/educ.v15i2


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Como mulher, educadora e intelectual, Armanda Álvaro Alberto exerceu a militância em defesa de seus ideais, tendo participado ativamente da criação de instituições destinadas à concretização dos movimentos feministas e dos movimentos escolanovistas no Brasil.
Nasceu no Rio de Janeiro, em 1892, cidade onde fez o Curso Normal. Em 1917 iniciou sua atividade como professora, na mesma escola onde concluiu o Curso Normal. Em Angra dos Reis promoveu o ensino ao ar livre, ensinando os filhos dos pescadores e, em 1921,comparrtilhou com Venâncio Filho e Edgar Süssekind de Mendonça a criação da Escola Proletária de Meriti, em Meriti/Duque de Caxias. Esta escola, mais tarde renomeada Escola Regional de Meriti, ficou conhecida como Escola Mate com Angu, por ter sido a primeira escola da América Latina a oferecer merenda escolar para seus alunos. Sob a influência dos postulados educacionais de Maria Montessori, Armanda Álvaro transformou a Escola de Meriti em um laboratório educacional, com regime de tempo integral, e nela as crianças participavam de atividades manuais como o cultivo de hortaliças e a criação do bicho-da-seda. A organização pedagógica implantada nesta escola antecipou os ideais escolanovistas no Brasil e sua protagonista foi uma das signatárias do Manifesto dos Pioneiros, documento que expunha os ideais do movimento pela Escola Nova, assinado por vinte e seis educadores brasileiros, em 1932.
Ainda na década de 30, Armanda participou da criação da Associação Cristã Feminina (ACF) e da União Feminina do Brasil (UFB), tendo sido, desta última, a sua primeira presidente. Como presidente da Associação Brasileira de Educação (ABE) e integrante da Aliança Nacional Libertadora (ALN), Armanda militou na Liga Anticlerical do Rio de Janeiro, ao lado do marido, Edgar Süssekind de Mendonça.
Tanto a UFB quanto a ANL eram alvo de perseguição por parte da Delegacia Especial de Segurança Política e Social (DESPS) do Estado Novo. As duas organizações foram postas na ilegalidade pelo Decreto 229, de 1935.
Em outubro de 1936, Armanda foi presa como suspeita de ligação com o Partido Comunista do Brasil e de participação na Revolução Comunista de 1935. Permaneceu na prisão até junho de 1937. Após sair da prisão e com a redemocratização do país, Armanda foi aos poucos retomando as atividades públicas, colaborando com manifestos e reivindicações.
Em 1964, diante das dificuldades para manter a Escola Regional, tentou transferi-la para o governo estadual. No entanto, não houve consenso para a manutenção da instituição nos moldes em que fora concebida, e a negociação foi encerrada. Após a morte de Armanda, em 5 de fevereiro de 1974, a Escola Regional foi doada para o Instituto Central do Povo. Atualmente é mantida em parceria com a Prefeitura da cidade e tem o nome de Escola Municipal Dr. Álvaro Alberto.

Foto: Dona Armanda no início dos anos 50 - Arquivo do Proedes/UFRJ.