##issue.vol## 10, ##issue.no## 2 (2007)

DOI: http://dx.doi.org/10.18224/educ.v10i2


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Manoel José do Bomfim nasceu a 8 de agosto de 1868 em Aracaju e morreu em 22 de abril de 1932 no Rio de Janeiro. Formou-se em medicina, desempenhou atividades de jornalista, além de ocupar funções públicas ligadas à  educação. Em 1897, participou da Diretoria Geral da Instrução Pública do rio de janeiro, como membro do Conselho Superior. Em 1901 foi para Paris, onde estudou Psicologia e Pedagogia com Alfred Binet e Georges Dumas, na Sorbonne. De volta ao Rio, em 1903, foi nomeado Diretor da Instrução Pública pelo então Prefeito Pereira Passos.
O homenageado deste número da Educativa, apesar de ter publicado cerca de 26 livros, é um ilustre desconhecido em nosso meio acadêmico. As razões desse desconhecimento podem ser buscadas por meio da análise de seu discurso no qual a metáfora ocupa lugar central, num momento em que o paradigma científico se baseava na utilização de conceitos objetivos, capazes de legitimar a imparcialidade da ciência. Embora utilizasse o instrumental teórico-metodológico dominante no período, Bonfim preocupou-se em demonstrar suas contradições por meio da explicitação do interesse científico, o que abriu espaço à  critica da ciência enquanto conhecimento neutro. O uso da metáfora como instrumento da explicação científica - quando se elegiam os conceitos como base de cientificidade - gerou polêmica e subseqüente desvalorização da sua obra. Bonfim foi extremamente lúcido quanto ao parasitismo europeu, sobre o colonialismo como a causa real dos males da nação: a economia especulativa que se implantou, o desgaste mortal da força de trabalho, a exportação de gêneros alimentícios, o enriquecimento secular das metrópoles, o estilo civilizatório, destruidor e genocida (Franco, 1994, p.97).
Para Bomfim, em seu discurso o progresso pela educação (1904), a função do educador estava relacionada à  função da República e da democracia, que seria formar sociedades livres ou que aspirem à  liberdade. O autor expunha seu pensamento sobre a educação remetendo à  formação da sociedade e da nação. Sendo a primeira formada por indivíduos cultos e progressistas, a segunda terá garantida a prosperidade e progresso. Do contrário, sendo os indivíduos ignorantes e inaptos, a nação persistirá atrasada, bárbara, fora do progresso e da atividade fecunda. Logo, para conduzir uma nação a todos os progressos, à  prosperidade e perfeição, só há um meio natural e infalível - instruir, educar os indivíduos, nas sociedades que aspiram progredir, sendo que o preparo das gerações futuras vem a ser um dos mais importantes serviços públicos (Bertonha, 1997).
(trecho extraído do Dicionário dos Educadores no Brasil,1999).