##issue.vol## 11, ##issue.no## 2 (2008)

DOI: http://dx.doi.org/10.18224/educ.v11i2


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GENESCO FERREIRA BRETAS

Este número de a Educativa tem a honra de homenagear um dos mais importantes intelectuais e educadores de Goiás: Genesco Ferreira Bretas ou, simplesmente, Professor Bretas, conforme ficou conhecido em Goiás. Natural de Caldas Novas, ele nasceu em 18 de novembro de 1811.
Um ano depois de seu nascimento, sua família mudou-se para Anápoles-GO. Nessa cidade, ele realizou seus primeiros estudos, e iniciou o curso secundário no Instituto de Ciências e Letras. Visando concluir seus estudos secundários e ainda trabalhar, nosso homenageado transferiu-se para a cidade do Rio de Janeiro, então capital do país, onde permaneceu até 1942. Lá, bacharelou-se e licenciou-se em Letras Anglo-Germânicas pela Faculdade Nacional de Filosofia.
Durante o tempo em que permaneceu no Rio de Janeiro, atuou como docente na condição de professor de línguas. Ainda nesta cidade, o professor Bretas foi nomeado por concurso público para o exercício do cargo de postalista dos Correios e Telégrafos. Nesta condição, retornou para Goiás, vindo, posteriormente, a ocupar as funções de Chefe do Tráfego Postal e de Diretor dos Correios de Goiânia.
O retorno do professor Bretas a Goiás se deu em um momento histórico de importantes mudanças educacionais. Entre 1930 e 1945 todas as modalidades de ensino, começando pela educação hoje caracterizada como infantil até a educação de nível superior, passaram por significativas modificações. Os dados disponíveis indicam que a ação educativa do professor Bretas parece ter deixado sua marca em, praticamente, todos elas.
Em 1928 Genesco Bretas ingressou no magistério como professor do Grupo Escolar de Caldas Novas, assumindo ainda por nomeação, o cargo de Secretário Geral desse município por quatro anos consecutivos.
Mas, foi a partir de 1942 que ele passou a atuar de forma mais efetiva na educação. Além de ter exercido o cargo de Secretário Municipal da Educação no governo do prefeito Hélio de Brito (1961-1966), foi um dos fundadores, talvez o mais importante, da Associação Goiana de Educadores (AGE), presidindo-a de 1950 a 1953. Pela sua reconhecida erudição participou, por dois mandatos, do Conselho Estadual de Educação.
Entre 1948 e 1969, nosso homenageado dirigiu três reconhecidas escolas da rede pública de ensino de Goiânia: o Instituto de Educação (1948-1951); o Lyceu de Goiânia (1966-1969) e o Colégio de Aplicação da FE/UFG (1952-1960).
Além das atividades administrativo-pedagógicas mencionadas, o professor Bretas atuou como docente em alguns colégios importantes das redes privada e pública de ensino de Goiânia, podendo ser, respectivamente, destacados: o Colégio Dom Bosco (1943-1948); o Colégio Santo Agostinho (1944-1952); o Instituto de Educação (1948-1966) e o Lyceu de Goiânia (1944-1969).
No ensino superior, o professor Bretas atuou como docente na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica de Goiás (1949-1962); na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e, finalmente, na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás de 1962, ano de ingresso nessa última IES, até sua aposentadoria, ocorrida em 1983.
Entre seus vários escritos sobre a educação, encontram-se o livro A História da Instrução pública em Goiás, publicado em 1990, e o livro Memórias de um botocudo publicado em 2001.
O professor Bretas obteve grande reconhecimento e por isso recebeu várias homenagens ainda em vida. Segundo sua filha Maria Luíza, a quem as editoras da Educativa agradecem a cessão dos dados que possibilitaram a escrita dessas notas biográficas, em fevereiro deste ano, foi inaugurado o Colégio Estadual Genesco Ferreira Bretas em sua homenagem póstuma e, que muito esforço vem sendo realizado no sentido de torná-lo referência em matéria de ensino fundamental, médio e na educação de jovens e adultos.
De seus bem vividos 96 anos, ele dedicou 54 à  educação. E o fez como administrador, docente e historiador da educação, sonhando com paixão, segundo os que com ele conviveram, com uma educação pública de qualidade para todos. Os educadores e pesquisadores, que tomam a educação realizada em Goiás como objeto de suas preocupações, têm razão do orgulho que sentem quando se referem ao trabalho e à  obra do professor Bretas. Um estudo detido e rigoroso da trajetória intelectual desse educador peculiar ainda está por ser feito. O professor Bretas desapareceu em 18 de setembro de 2007. (Nota bibliográfica sistematizada a partir de dados fornecidos por Maria Luíza Bretas. Goiânia, Março/2009).

Foto: Arquivo da família.