##issue.vol## 13, ##issue.no## 1 (2010)

DOI: http://dx.doi.org/10.18224/educ.v13i1


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CECàLIA BENEVIDES DE CARVALHO MEIRELLES

Por inúmeros motivos, mas especialmente por ter assinado o Manifesto dos Pioneiros (1932), Cecília Meirelles é a homenageada deste número de a Educativa.
Nasceu em 07 de novembro de 1901 no Rio de Janeiro. Perdeu o pai antes de nascer e a mãe aos três anos. O contato precoce com a morte levou-a, segundo ela, a mais bem compreender as relações entre o efêmero e o eterno, tanto que afirmou:

Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção [...] da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade... Mais tarde, foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano.

Cecília Meirelles conclui seus primeiros estudos em 1910, na Escola Estácio de Sá, e o Normal no Instituto de Educação do Rio de Janeiro (1917). Em seguida, passou a lecionar em escolas públicas do antigo Distrito Federal (DF).
Casou-se, em 1922, com o pintor português Fernando Correia Dias, que faleceu em 1935. Com ele, teve três filhas. Em 1940, casou-se com o professor e engenheiro Heitor Vinícius da S. Grilo.
Em 1919, publicou seu primeiro livro de poesias, Espectro, seguido de inúmeros outros. Muitos deles foram traduzidos e publicados em vários idiomas e em outros países. Além de sua vasta obra literária, escreveu em alguns periódicos. Entre 1930 e 1931, por exemplo, escreveu diariamente sobre educação no Diário de Notícias.
Como diretora de um Centro Infantil que teve vida efêmera, ela organiza a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro (1934). Durante sua vida, Meirelles proferiu, aqui e alhures (demais Continentes do mundo), inúmeras conferências sobre Literatura Brasileira.
Entre 1935 e 1938, lecionou disciplinas ligadas à  literatura brasileira e à  luso-brasileira na Universidade do Distrito Federal (hoje, UFRJ). Em 1940, lecionou Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas (USA).
Alguns prêmios, condecorações e títulos foram a ela concedidos em vida e após sua morte. Em 1953, por exemplo, recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade de Délhi (àndia) e, em 1965, é agraciada pela ABL com o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra. Além disso, Cecília Meirelles se tornou, no Brasil e no estrangeiro, nome de salões, ruas, escolas, bibliotecas. Em 1964, é inaugurada a Biblioteca Cecília Meirelles, em Valparaiso (Chile). Em 1989, uma cédula de cem cruzados novos com a efígie de Cecília Meirelles é lançada pelo Banco Central do Brasil, no Rio de Janeiro.
Em 1951, Cecília Meirelles se aposentou como diretora de escola, mas continuou trabalhando como produtora e redatora de programas culturais na Rádio Ministério da Educação, no Rio de Janeiro.
Pela sua sensibilidade poética, o crítico Paulo Rónai escreveu: "Considero o lirismo de Cecília Meirelles o mais elevado da moderna poesia da língua portuguesa. [...] A poesia de Cecília Meirelles é uma das mais puras, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea.
Nossa homenageada desapareceu, encantou-se, em 09 de novembro de 1964, no Rio de Janeiro. Seu corpo foi velado no Ministério da Educação e Cultura.

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