##issue.vol## 13, ##issue.no## 2 (2010)

DOI: http://dx.doi.org/10.18224/educ.v13i2


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Júlio Afrânio Peixoto foi médico, professor, político, crítico literário, ensaísta, romancista e historiador. Pela contribuição intelectual dada à sociedade e à cultura brasileiras, e, especialmente, por ter sido um dos signatários do Manifesto dos Pioneiros de 1932, foi o escolhido para ilustrar a capa deste número da Educativa. Nosso homenageado nasceu em Lençóis-BA em 17 de dezembro de 1876. Passou sua infãncia em Canavieiras, cidade do interior baiano que conferiu seu nome a uma de suas bibliotecas e a uma de suas ruas. As vivências dessa fase de sua vida influenciaram de modo significativo o que expresou em seus romances.
Ele se formou em Medicina em Salvador em1897. A tese que defendeu à época "Epilepsia e crime" mobililou interesses nos meios científicos brasileiros e do exterior. Com a publicação do drama Rosa Mística (1900) deu início a sua carreira literária. Dois anos após, transferiu-se para o Rio de Janeiro, então capital do país, onde foi inspetor de Saúde Pública e Diretor do Hospital Nacional de Alienados. Entre 1904 e 1906 percorreu a Europa, buscando especializar-se. Regressando ao Brasil deixou a literatura, dedicando-se apenas à Medicina. Deu aulas de Medicina Legal na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1907), assumindo, posteriormente, nessa mesma instituição, o cargo de professor extraordinário. Nesse tempo, produziu obras de cunho médico-legal e científicas. Estudou as teorias de Freud, levando-as para seus romances. Além de dirigir a Escola Normal do Rio de Janeiro (1915), foi diretor da Instrução Pública do Distrito Federal no ano seguinte.
Em maio de 1910, quando visitava o Egito, foi à revelia eleito como o terceiro ocupante da Cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras (ABL), sucedendo Euclides da Cunha. Premido pelo fato, começou e concluiu a escrita de seu romance A esfinge antes de sua posse, ocorrida em agosto de 1911. O Egito inspirou-lhe o título e a trama. Publicado no mesmo ano, o romance obteve sucesso e conferiu destaque entre os ficcionistas brasileiros. Como membro da ABL obteve do embaixador da França, Alexandre Conty, a doação pelo governo francês do palácio Petit Trianon (1923), construído para a Exposição da França no Centenário da Independência do Brasil. Além de ter ocupado a Cadeira nº 7 da ABL, ocupou também a Cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Filologia por ele fundada. De sua vasta obra literária, produzida entre 1900 e 1947, constam estudos sobre Camões, Castro Alves e Euclides da Cunha.
Passou brevemente pela política (1924-1930) como deputado federal eleito pela Bahia. Após, voltou à atividade do magistério sendo professor de História da Educação no Instituto de Educação do Rio de Janeiro (1932). Foi reitor da Universidade do Distrito Federal em 1935. Após 40 anos de relevantes serviços prestados ao Brasil, aposentou-se. Por meio de sua personalidade fascinante, inteligência viva e domínio da oratória, Afrânio Peixoto prendia a atenção de pessoas e auditórios, obtendo, por isso, aprovação da crítica e prestígio popular.
Nosso homenageado faleceu em 12 de janeiro de 1947 no Rio de Janeiro.