##issue.vol## 14, ##issue.no## 1 (2011)

DOI: http://dx.doi.org/10.18224/educ.v14i1


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Edgar Roquette-Pinto foi mais um dos intelectuais de seu tempo que assinaram o Manifesto dos Pioneiros de 1932, daí porque é o homenageado deste número da Educativa. Ele nasceu no Rio de Janeiro em 25 de setembro de 1884. Além de médico legista, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1905, era antropólogo, etnólogo, ensaista e educador.
Em 1912 participou da Comissão de construção das linhas telegráficas dirigida pelo Marechal Rondon. Na ocasião, filmou os índios Nhambiquaras. Resultou desse trabalho, seu notável estudo de antropologia: Rondônia, expressão dada à região visitada em homenagem ao diretor da referida comissão. Realizou também estudos sobre os sambaquis, depósitos arqueológicos do litoral do Rio Grande do Sul.
Em 1906 foi nomeado Professor Assistente de Antropologia no Museu Nacional, onde organizou, como diretor. a maior coleção de filmes científicos do Brasil de seu tempo. Foi ainda professor de História Natural da Escola Normal do Distrito Federal (1916) e professor visitante de Fisiologia da Universidade Nacional do Paraguai (1920). Quatro anos depois, participou do Congresso Internacional da Americanistas, realizado em Gotemburgo (Suécia).
Em 1923, sob os auspícios da Academia Brasileira de Ciências, fundou a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro de caráter exclusivamente cultural, assentada no lema: "Pela cultura dos que vivem em nossa terra, pelo progresso do Brasil". Argumentava que "o ideal (...) [seria] que o cinema e o rádio fossem, no Brasil, escola dos que não têm escola". É reconhecido como o pioneiro da radiofonia e da televisão no Brasil, voltadas para difundir a cultura. Ao sentir a impossibilidade de manter o caráter exclusivamente cultural da Rádio (1936), propôs ao Governo federal sua doação ao Ministério de Educação, sob a condição de que tal caráter fosse respeitado. Após a doação, bem sucedida, surgiu a Rádio Ministério de Educação.
Em 1931 foi convidado a dirigir a Rádio Escola Municipal, também exclusivamente cultural. Em 1945 ela foi denominada de Rádio Roquette-Pinto, designação mantida até hoje. Em 1936, aceitou o convite do Ministro Gustavo Capanema para criar e dirigir o Instituto Nacional do Cinema Educativo. Com a colaboração de muitos, produziu centenas de filmes educativos, destinados à divulgação nas escolas brasileiras. Sobre sua própria atuação, afirmou: durante mais de trinta anos de minha (...) vida de naturalista e professor [dediquei-me] (...) ao estudo da raça, da gente, dos tipos do Brasil. E quando os dados objetivos da ciência (...) me convenceram de que os problemas humanos não derivam, no Brasil, de influências nocivas de cruzamentos (...) biológicos, [mas de] questões de meio, de herança social, de cultura, voltei-me apaixonadamente para tudo quanto pudesse elevar no plano físico e moral, os meus irmãos. Foi a minha velha antropologia que me abriu esse novo caminho, no desejo de ser útil, única ambição veemente em minha alma brasileira.
Segundo Paulo Carneiro, ele fez do magistério um apostolado. Por onde lecionou surgiu, em torno de sua cátedra, um viveiro de educadores, de cientistas e de missionários. Todos [conheciam] a sua admirável aptidão de pedagogo. Mas só os que tiveram a oportunidade de assistir às suas preleções puderam apreciar, em toda a sua plenitude, os seus dons excepcionais de professor.
Nosso homenageado foi Membro da Academia Brasileira de Letras, da Academia Brasileira de Médicos Escritores e de inúmeras outras associações culturais, nacionais e estrangeiras. Foi um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro. Entre 1906 e 1941 produziu vasta obra, merecendo destaque: O exercício da medicina entre os indígenas da América, e Rondônia - antropologia etnográfica, considerada um clássico da antropologia brasileira. Escreveu ainda inúmeros trabalhos científicos, artigos e conferências, publicados em diferentes revistas e jornais do país.
Roquette-Pinto faleceu no Rio de Janeiro em 28 de agosto de 1954.