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Tipo do documento: Dissertação
Título: O PROJETO DO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO ADAUTO BOTELHO DE GOIÂNIA EM UMA HISTÓRIA DA LOUCURA NO BRASIL (1930-1950)
Autor: Santos, Ronivaldo de Oliveira Rego 
Primeiro orientador: Sugizaki, Eduardo
Primeiro membro da banca: Magalhães, Sônia Maria de
Segundo membro da banca: Silva, Leicy Francisca da
Resumo: Esta dissertação é um estudo histórico acerca do modo como as relações de poder possibilitaram a projeção do Hospital Psiquiátrico Prof. Adauto Botelho. Trata-se, portanto, de um estudo cujo objetivo é tentar mostrar os movimentos que possibilitam a concepção, o projeto e a construção dessa instituição, que fazem do Adauto um acontecimento no interior da cultura nacional e regional. Construída em Goiânia e inaugurada em 1954, essa instituição faz parte de um processo pretensioso de modernização, civilização e melhoramento da raça, presente no Brasil, desde pelo menos meados do século XIX. Nesse sentido, o primeiro capítulo desta dissertação tenta mostrar que há alinhamentos entre às matrizes teóricas da psiquiatria que se desenvolvem já no século XIX na Europa, até chegar ao Brasil. Esses saberes reorientarão a teoria degenerascionista por meio dos princípios eugênicos, influenciando as teorias psiquiátricas no Brasil. Nesse período, especialmente após a emergência da eugenia como teoria que organizaria os saberes médicos, toma força no Brasil, principalmente alinhado com os ideais de sanitarismo e higienismo, no contexto da Primeira República, um saber psiquiátrico com pretensões médicas e vontade de organizar as relações sociais. Orientados por essa perspectiva científica, o combate aos considerados males que permeiam o país se torna política nacional, cuja principal frente de combate é o interior do Estado brasileiro. Os rumores da civilização também espreitavam Goiás, no final do século XIX já se falava em mudar a capital para um local mais centralizado. É nessa perspectiva que o segundo capítulo desta pesquisa discute o modo como o saber médico influenciará as transformações ocorridas em Goiás, impulsionadas pelos vultos civilizatórios e modernizantes. As fontes indicam que era preciso colocar Goiás na rota do progresso, melhorar sua população, modernizar o Estado. Para isso, ainda nesse capítulo as fontes mostraram que as vozes do poder bradavam em prol da criação de instituições que disciplinassem a cidade, por meio do disciplinamento dos corpos desviantes. Tendo isso em vista, ainda no segundo capítulo, os vários tipos de desviantes foram aparecendo: desde representações generalistas como bobo, idiota, débil, alienado, descrita na década de 1930, por Pedro Ludovico Teixeira, passando por André Louco, figura apresentada por Bernardo Élis, até figuras icônicas como Maragã, descrita por Cora Coralina, a loucura em Goiás mostrou-se como uma imagem do cotidiano. Mas esse cenário deveria ser mudado com a construção da nova capital, local idealizado e sonhado para ser o lugar por excelência da civilização e da modernidade. Diante desse cenário, não obstante os conflitos envolvendo a construção de Goiânia, no terceiro capítulo, analisamos a narrativa em prol da construção das instituições de melhoramento. Entre os males a se combater estava a loucura. Mostramos ainda que é somente a partir de 1946, com o avanço das políticas do Serviço Nacional de Doença Mental, alinhado à pretensão em se combater os indivíduos que causavam a desordem social, que as discussões sobre uma instituição psiquiátrica pública entram efetivamente na agenda de Goiás. Ao observar o contexto nacional, no terceiro capítulo desenvolve-se a análise segundo a qual o Adauto de Goiás (1954) faz parte de uma política nacional de expansão das instituições asilares, com pelo menos, mais quatro Adautos construídos no Brasil durante a década de 1950: no Paraná (1954), no Espírito Santos (1954), em Sergipe, em Mato Grosso (1957). Ainda nesse capítulo, apresentamos a tese da existência de um ideário eugenista em Goiás e no Brasil, uma vez que, como mostram os discursos de inauguração, esse hospital deveria ser um dos lugares de melhoramento da raça engendrado no interior do Brasil. Mais do que combater os anormais, o Adauto será representado como aquela instituição responsável por criar uma ruptura no próprio modo como se narraria a história do Estado. Na perspectiva dos idealizadores do hospital e da sociedade, depois do Adauto, o que se narraria seria uma história que se pretendia civilizada e organizada, uma história de um Estado caminhando para o progresso, uma parte do Brasil que se representaria como civilizada e melhorada.
Abstract: This work is a historical study about the way in which power relations allowed the projection of the Psychiatric Hospital Prof. Adauto Botelho. It is, therefore, a study whose aim is to try to show the movements that make possible the conception, design and construction of this institution, which make Adauto an event within the national and regional culture. Built in Goiânia and inaugurated in 1954, this institution is part of a pretentious process of modernization, civilization and breed improvement, present in Brazil, since at least the mid- 19th century. In this sense, the first chapter of this work tries to show that there are alignments between the theoretical matrices of psychiatry that develop in the nineteenth century in Europe, until arriving in Brazil. These knowledges will reorient degenerationist theory through eugenic principles, influencing psychiatric theories in Brazil. In this period, especially after the emergence of eugenics as a theory that would organize the medical knowledge, it takes force in Brazil, mainly aligned with the ideals of sanitarism and hygiene, in the context of the First Republic, a psychiatric knowledge with medical pretensions and will to organize the social relations. Guided by this scientific perspective, the fight against the considered evils that permeate the country becomes national politics, whose main front of combat is the interior of the Brazilian State. The rumors of civilization also lurked in Goiás, at the end of the 19th century we were already talking about moving the capital to a more centralized location. It is from this perspective that the second chapter of this research discusses how medical knowledge will influence the transformations that occurred in Goiás, driven by the civilizational and modernizing figures. The sources indicate that it was necessary to put Goiás on the route of progress, to improve its population, to modernize the state. To this end, even in this chapter the sources showed that the voices of power shouted for the creation of institutions that would discipline the city through the disciplining of deviant bodies. With this in view, in the second chapter, the various types of deviants were appearing: from generalist representations such as silly, idiotic, weak, alienated, described in the 1930s by Pedro Ludovico Teixeira, going on with André Louco, figure presented by Bernardo Elis, even to iconic figures like Maragã, described by Cora Coralina, the madness in Goiás showed itself as an image of daily life. But this scenario should be changed with the construction of the new capital, idealized place and dreamed to be the best place of civilization and modernity. Given this scenario, despite the conflicts surrounding the construction of Goiânia, in the third chapter, we analyze the narrative for the construction of breeding institutions. Among the evils to fight was madness. We also show that it is only after 1946, with the advancement of the policies of the National Mental Health Service, in line with the pretension to combat individuals who caused social disorder, that discussions about a public psychiatric institution effectively enter the agenda of Goiás . In observing the national context, the third chapter develops the analysis according to which the Adauto de Goiás (1954) is part of a national policy of expansion of asylum institutions, with at least four more Adautos built in Brazil during the decade of 1950: in Paraná (1954), in Espírito Santo (1954), in Sergipe, in Mato Grosso (1957). Also in this chapter, we present the thesis of an eugenicist ideology in Goiás and Brazil, since, as the inaugural speeches show, this hospital should be one of the places to the breed improvement engendered in the interior of Brazil. Rather than combating the abnormal, Adauto will be represented as that institution responsible for creating a rupture in the very manner in which the history of the State would be narrated. From the perspective of the idealizers of the hospital and society, after Adauto, what would be narrated would be a history that was intended to be civilized and organized, a history of a State moving towards progress, a part of Brazil that would be represented as civilized and improved.
Palavras-chave: Loucura. Eugenia. Goiás. Brasil.
Madness. Eugenics. Goiás, Brazil.
Área(s) do CNPq: CIENCIAS HUMANAS::HISTORIA
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Sigla da instituição: PUC Goiás
Departamento: Escola de Formação de Professores e Humanidade::Curso de História
Programa: Programa de Pós-Graduação STRICTO SENSU em História
Citação: Santos, Ronivaldo de Oliveira Rego. O PROJETO DO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO ADAUTO BOTELHO DE GOIÂNIA EM UMA HISTÓRIA DA LOUCURA NO BRASIL (1930-1950). 2018. 192 f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação STRICTO SENSU em História) - Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia-GO.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: http://tede2.pucgoias.edu.br:8080/handle/tede/3923
Data de defesa: 14-Mar-2018
Appears in Collections:Mestrado em História

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